A minha única certeza é a tristeza.
Os momentos de alegria servem pra doer mais quando chegar o momento da tristeza.
Eu tenho minhas "gavetinhas", só que elas têm vontade própria....
A tristeza se escancara ao mesmo tempo que a decepção.
Logo em seguida vem a gavetinha da saudade perguntando onde é a festa.
Aí ela passa e chama o desespero que sempre quer que tudo aconteça no fundo do poço.
Aí eu mesma me encarrego de trazer a desilusão, a depressão e o ódio.
Todos eles juntos, assim de uma vez.
Esqueço momentos felizes, esqueço horas, dias, semanas, meses e anos.
Ponho a minha vida em função dessas "gavetinhas".
A minha incerteza é como que eu dou a rasteira na tristeza, mando acabar com a festa e saio do fundo do poço.
Queria ter essa certeza, porque aí acabava a mentira. Acabava a encenação de que tudo se supera. De que a gente esquece.
Quem bate esquece quem apanha nunca esquece.
Às vezes eu me pergunto se isso também é verdade. Pode ser uma mentira?
Não tenho certeza.
Eu me lembro de vezes em que eu bati, mas acho que lembro mais das vezes em que apanhei.
Sei que muita coisa triste eu tô engavetando.
E por enquanto eu tô mantendo o controle da festa.
Tô controlando o volume do rádio e o tempo que vai durar a festa e nada de levar a festa pro fundo do poço.
Mas eu tô cansada de controlar. Tô querendo mandar tudo pra puta que pariu.
E essa fraqueza eles logo sentem e se aproveitam.
Me pegam assim meio desprevenida e retomam o controle da minha vida.
Tô cansada.
Tô com medo.
Tô triste.
Porra, acho que tô abrindo as gavetas....
Odeio, (olha a gavetinha do ódio.....)sentir dor e quem gosta?
Sei lá, vai que tem
Só sei que nada sei.
Gosto disso. Gosto de filosofia.
Será que eu sou sábia por isso? Porque eu acho que sei que porra nenhuma eu sei.
Sei que tô com saudade. E ela tá sempre por aqui.
Ela cresceu tanto que não cabe mais nas minhas gavetas.
Só me resta então sentir saudade pra ver se ela diminui.
E hoje tô sentindo muita saudade.
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