19/07/2007

Chove...

Chove.
E o meu coração chove também.
Com direito a trovoadas.
Aquelas batidas irrequietas que depois fazem aquele tum, tum... ora demorado, ora apressado.
Chove.
E o meu corção chove junto. Com a mesma intensidade.
Cansado de tanto calor, de tanto juntar as coisas que se desprendem desse inferno, agora, só agora ele chora.
Chora pelas horas perdidas, pelas chances perdidas, pela vida perdida.
Tantas mágoas que a alegria daqueles tempos foi esquecida.
Gotas. Gotas no sereno.
Fez tanto calor que as nuvens todas enevoaram a estrada que antes com os raios de sol eu podia ver.
Eu me prendi tanto naquele raio, naquele fio que eu acreditava que me levaria pra sempre, e me largou na primeira esquina. Minto. Me jogou no sereno, nua, me levou para a chuva e esperou eu me encharcar.
Os trovões me prendem nesse lugar, tenho medo de sair e encontrar o meu raio de sol. E agora eu tenho medo de ficar e nunca mais encontrar um raio de sol.
Eu queria ter coragem pra soprar as nuvens, queria que elas fossem de algodão, bem macio, onde eu pudesse descansar a cabeça e olhar lá de cima e acreditar que a chuva limpa o caminhar. Aí eu não estaria agora pensando que a chuva veio me afogar, veio trazer os entulhos que fui deixando a vida esconder e que agora eles vieram me levar.
"Foi só o amor ou medo de ficar sozinha outra vez? Cade aquela outra mulher? Você me parecia tão bem, a chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.."
Acho que não sequei direito, só escondi embaixo do tapete. Talvez tenha sido isso. Chovia ainda e eu tive medo de secar. E você não quiz secar. Hoje a tempestade tomou conta. E o que eu perdi vc não sentiu falta. Ou não demosntrou.
Perdi dois amores, o meu próprio e o de alguém que não teve chance de amar. Eu queria ser o sol, mas hoje só posso ser a ressaca do mar.
Chove.
E eu não quero mais lembrar.

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